quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sacode... Sacode... Sacode!


De tanto sacudir, o ônibus do Forró Sacode sacou ribanceira abaixo no interior do Maranhão, nesta quarta. Todo os integrantes da banda passam bem, embora tenham sido mais sacudidos que bolas de sorvete em milk shake. A espevitada vocalista Daniela fraturou as pernas e não poderá sacudir, sacudir, sacudir tão cedo.

Viagem ao Olho-do-Cu do Mundo


Zábadu bassado Zizi Pollary estava na maior ressaka moral e imoral, nem queria zair de casa. Pra nada. Quiria era fikar nua nu quarto, matandu insetos com o seu hálito de baygon. Porém, o leitor já zabe como é. Zizi não sossega a pericripta. Sondou a agenda para ver as pozzibilidades.
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As amiguinhas biriteiras Iggy e Odie estavam numa phestinha. De um amigo de não sei quem. Cervejando-se, como sempre. Iggy convidou Zizi. Mas Zizi estava meio zonza, e um pouko na dúvida. Ficou de passar. Ou não, como diria a Caetana Veloso.
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Nesse sábato cheio de eventos sociais tinha também o aniversário de uma tia. Tia de fato, a ermã do genitor de Zizi, e não uma dessas tias véias bem cacuras que pintam o cabelo grisalho de acaju. E que depois ficam brincandu de marida e muléh na região do pericumã de algum bophe uó.
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Zizi foi à casa da tia. Onde foi recebida com beijinhos, docinhos e drinkinhos. Adóron. Principalmente os drinkinhos. Lá estavam todas as thias de Zizi: tia Zazá, tia Zuzu e tia Zezé. Futricando. Todas sentadinhas no sofá e azzistindo a novéula.
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Zizi Pollary deu um tempinho na presença da fammily, mas quando foi dez pras onze, o pisca-pisca interno da bee começou a apitar: "tá na hora de cair phora!"
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Então Zizi celulou para Guta Gatuna para saber qual era a bôua da noite. Guta estava querendo ir à Broadway com Nic Chupa-Chupa. A Broadway é o apelido da Pedrita, um club suburbano e sub-humano cujus habitués são criaturas hermafroditas, transformers de periferia, bophes du mal, zapatas caminhoneiras, bixas forrozeiras e outrus seres saídos do bueiro.
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Zizi topou - tava bêbada - e combinou de encontrá-las num ponto do Angelim, bairro onde Nic passaria de batmóvel. Assim foi feito. Zizi materializou-se como uma nuvem de purpurina e desejo em pleno Angelim, deixando os bophes angelinescos boquiabertos e maravilhados com sua fulgurante chegada. Sentou-se numa lan-xô-nete (uma lan house que também é lanchonete) onde bebiam o casal Nardoni: Faby e o seu espôuzo Eddu, um ser muito sexy... sexyagenário. E rico. Ou que azzim se acha. Mas a gentche acaba perdoando o seachismo por causa da idade avançada do coitado.
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Nic foi tomar banho e nos deixou, Guta e Zizi, biritando com o casal Nardoni. Eddu até se portou condignamente. Mas Fabby estava podra. Pior que nunca. Veneninhus e farpinhas foram trocados lindamente entre ela e eu por alguns minutos desagradáveis. Até que Nic voltou de banho tomado, toda montada de Cavalera. Zizi Pollary achou a camisa muito style para usar naquela pocilga, mas enfim...
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Partiram no bólido rosa-mênstruo recém-comprado por Nic Chupa-Chupa, a ser pago em sete anos de boquetes. Ufa. Zizi estava feliz, iria com alívio até ao inferno sóh para se livrar do casal Nardoni.
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Nic vangloriu-se de, nesta noite, juntar os "injuntáveis". No Angelim, seu bairro. Zizi olhava ao redor, perdida: "Onde estou eu?" Espirituosa e aventureira, considerava aquela descida ao cu-do-judas uma expedição antropológica das mais primitivas e curiosas.
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Agora Zizi pede forças épicas às musas para que a ajudem a narrar sua jornada à Pedrita: "Ó musas piriguettes do São Cristóvão, dêem-me o som e a fúria para que eu consiga vencer o nojo e ódio e achar as palavras certas, ou ainda os palavrões exatos".
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Sim, continuando. Zizi chegou à boca do inferninho com suas ameigas. E não gostou do que viu. A Drita continuava intacta. Exatamente como era há 30 anos atrás. Não mudou nem por um parafuso enferrujado. Tocavam as mesmas músicas horrendas. A mesma lama formada por poças de xixi e cocô infestava o chão do banheiro. As mesmas bichas velhas e feias, 30 anos mais velhas e feias, estavam lá batendo o mesmo ponto. A mesma telha de brasilite no teto. Tudo a mesma merda. Nem Dante conseguiria pintar um retrato mais dantesco daquela execrável humanidade se divertindo e dando pinta lá dentro.
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Zizi resolveu embriagar-se de maneira equina, para ignorar o choque de realidade que o lugar oferecia. A miséria humana exposta em cores, sons, cheiros, gritos, risos, peidos e pirucões. As bees exalavam a jasmim de la puta, requebravam os úteros dando umbigadas e se beijavam nas bocas com sençualidadji.
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Uma sapatona tentou agarrar nossa diva para encenar uma soup ópera bem cheia de bolhas de sabão. Zizi, muito digna, mandou tomar no cúú.
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Mais calma, Zizi assistiu o concurso das travecas que escolheria a "Miss Maranhão Gay Brasil das Américas Latinas" ou era a "Miss Quinto dos Infernos do Bairro do São Cristóvão"? O apresentador era uma bixa loura que comia todas as "concordância." Tipo o presidente Lula: "agora uma salva de palmas pras candidata". As travestis faziam a linha bem monstras. Não se salvava uma só. O prêmio era um bouquet de rosas murchas, roubadas do cemitério, quem sabe.
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Ainda houve um número erótico de gorfar. Um galalau feioso e nu que onanizou-se no palco. O apresentador uó pediu para "duas voluntária da pratéia" subirem ao palco e crau. Não é que duas travas surgiram du pântano e caíram de bocarras no feioso? Ai. Que crocodilas, pensou Zizi Pollary já de saco cheio.
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Zizi decidiu salvar sua honra e reputação a tempo e fugiu montada num camelo, ou melhor, num mototáxi, torcendo para os paparazzi não a reconhecerem.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Sexta bázizica de Zizi

Neste finde, Zizi Pollary vestiu seu modelito mais simplesinho (foto) e foi à luta. Ou melhor, ao Centro boêmio da cidade para alcoolizar-se com algumas amigas (todas falsas).
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Quando Zizi viu a lua resplandecente no céu seco da cidade começou a ovular. Oba! - pensou toda esperançosa.
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Mas o finde foi o fim. Descobriu a diva, nauseada. Um grupo de pagodeiros repulsivos havia tomado conta da Praia Grande. E Zizi Pollary odeia pagodes, keridus. Nunca a convidem para um fundo de quintal. Fundo de quintal para ela significa apenas o cantinho, ao lado do tanque de lavar, onde ela teve suas primeiras experiências séquiçuais quando era uma zizizinha.
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Nossa estrela chegou cedu ao Centro, subiu uma ladeira com seus tamancos troantes e refugiou-se num lugar isolado, ameno, um bar que era uma simpatia. Lá, embriagou-se à vontade. E olhou o polvo passar. Testemunhou cenas gozadas. Como a bee que, acompanhada por um bophe trêbado, sapecou beijões na boca aberta do bophe. O rapaz ficou tão passado com o descaramento da bee que veio, olhar rútilo e em pânico, pedir cigarro como quem pede socorro.
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A noite transcorreu sem incidentes. Mas uma amiga lesbian chic de Zizi estava meio impaciente. Com um miguxo de Zizi que também sentou-se à mesa. O miguxo era meio zem noção. Só falava de festas e raves. E a lesbian não aguentava mais ouvi-lo. Esse bophe é muito chatinho realmente. Mas Zizi não costuma ser indelicada. Ela é doce. Só parte para a giletada quando pisam seus calos. Sorte: ninguém pisou-os naquela sexta à noite, nem na pista bafônica da buáte onde a nossa heroína, altiva, cool - achando tudo um cool - e glacial como Greta Garbo, quem diria acabou indo parar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Exercitando os dotes


Zizi Pollary, como o leitor nota, não gosta de fazer alarde das suas poucas & boas, mas as suas amigas são tão bisbilhoteiras e espalhafatosas, que ela resolve divulgar tudo antes que os fatos sejam distorcidos pela eterna malícia da alma humana (especialmente quando a alma humana pertence a beeshas bem fofokeiras).
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Mas o fatu é que Zizi está preparandu um livru, keridus. São zuas memórias de boudoir. Zim, ela sabe escrever. E ler também. Não duvidem sóh por cauza dos seus errinhus frequentes ao postar aqui. É tudu uma questão de esthilo. Ou falta de. Nossa diva sabe das koisas. Ker escrever um livru melhor que o da Danuza, que apenas pincelou lembranças no mixuruca Quase Nada.

Alguns trechos da proza experimental de Zizi:

"Eu estava. Ahnnn. O quê? Nua. Sim, nua. Mas aí. O sabonete, sim, o sabonete, sim caiu. No chão sim. No chão. Agachei-me para apanhar o sabonete. Sim. Nisso surgiu um gaiato sim do nada sim e o safadu introduziu-me sim sim no fascinante mundo sim da moda, corte e custura, sim pois era uma tremenda bee sim fã de Madonna e sim admiradora de Herchcovitch sim. Fiquei frustrada. Sim."
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Ok, admito: talvez Zizi esteja imitando demais o monólogo final de Molly Bloom em Ulisses, de James Joyce. Talvez ela tire os sins e substitua-os por talvez. Talvez.
O Último Tango no Filipinho

Ontem Zizi Pollary estava um abuso só. Saiu de casa (tra)vestida com uma blusinha decotada branca estilo "baba Baby baba" enfiada num longo e atrevido par de calças pretas. Os cabelos num novo corte. Sapatinhos brancos. Pura sedução e malícia, como uma canção do Wando (Ui!).
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Os pobres bophes, por onde Zizi passava, voltavam os pescoços ansiosos, olhinhos saltados, linguinhas de fora, arfando como cãezinhos famintos, admirando, fascinados a audácia visual da nossa diva.
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Homem é tudo previsível mesmo. Vista uma roupa mais provocante e eles ficam ali, como doidos mansos, fingindo normalidade, mas na verdade loucos para penetrar a sua bucetinha.
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O bophe que eu estou de olho caiu no truque. Me lançou olhares e sorrisos interessantes e provavelmente interessados.
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O problema é a raxxa que o acompanha 24h. Marcação cerrada, uó. Ela não deixa mulher nenhuma chegar junto. Nem a mim, keridus, ke não sou uma mulher qualquer e sim Zizi Pollary! Mas a fulaninha pode tirar o cavalinho da chuva: esse bophe ainda vai ser meu. Até porque, pelo que vi e notei ontem, ele parece gostar de passar manteiga nos dois lados da torrada. Ke seja! Zizi Pollary ainda será a delícia cremosa que besuntará de prazer essa torrada crocante!

sábado, 19 de setembro de 2009

Cooltura é Com Zizi

O tédio gritante dos sábados costuma levar as classes proletárias a desesperadas tentativas de se entreter, como estaponar a patroa em casa depois de beber muita pinga!
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Mas Zizi Pollary é uma exceção na favelona que é nossa cidade. Ela não se diverte admirandu os barracus dos vizinhus. Seus sábados são dedicados exclusivamente a atividades inteléquituais.
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Por exemplo, corrigir o português dos cafuçus que ela convida para o seu apartamento. Eles vivem dizendo "onte", enquanto nossa paciente e didática diva, ensina: "Não, não, não, keridu. Não é tão difícil assim. Repita com Zizi, devagar: on-té-im!"
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- Onte! - zurra o bophe novamente.
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E não tem jeito mesmo. Zizi é famosa por ser paciente, mas não acredita muito na educação do polvo brasileiru. E nem no Enem. Convenhamos, cafuçu só dá para introduzir naquele lugar. Jamais nos misteres da língua falada e escrita...

domingo, 13 de setembro de 2009

Diários da cama


Posta fora de combate por uma amigdalite, Zizi Pollary dedicou-se ao dolce far niente por uns dez dias. Nossa heroína passou metade do tempo acamada, lendo Walt Whitman. E ouvindo discos. Um dos cds apreciados em êxtase foi "Existir", dos sublimes lusitaninhos do Madredeus. Nossa diva tentava dublar a voz de Teresa Salgueiro, entre crises de tosse, seguidas de espectoração.
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Enquanto Zizi ouvia fados os seus keridus vizinhos de condomínio passavam o sábado coçando e ouvindo músicas bregas em volume ensurdecedor. Todas as músicas, se é que se pode chamar aquilo de música, tinham um mesmo ritmo sintético tocado toscamente: tum-tum-tum-ti-ri... tum-tum-tum-ti-ri... tum-tum-tum-ti-ri... Sobre essa base repetitiva, soava o cantor, entoando refrões sentimentais e excessivos cantadas por uma vozinha desagradável em falsete cheio de trinados estridentes...
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Gente pobre de espírito ou de recursos é muito radical em suas predileções estéticas. Zizi não pode fazer nada. Embora em horas assim tenha vontade de jogar uma bomba H sobre a vizinhança, nossa heroína acredita na paz e reprova o armamentismo nuclear mundial.
Zizi é do bem. Outro disco que fez sua cabeça enquanto os vizinhos enchiam o seu saco foi uma coletânea de Chet Baker.
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Zizi espocou pipocas na panela e assistiu Disque M Para Matar, de Hitchcock, em dvd. Com os dedos sujos de manteiga como os de Brando em O Último Tango, onanizou-se, mas só um pouquinho, assistindo a um pornô do Corbin Fisher. A cena de sexo a três que abria o filme era muito estimulante. Zizi Pollary se sentiu como uma senadora do PMDB: cheia de idéias sujas e pervertidas. O problema é pôr essas ideias em prática sem um tostão na bolsa.
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Sim, keridus, Zizi estava arruinada financeiramente. Mas até era bom, só assim ela poderia recuperar sossegada a saúde e o frescor. Em casa, na cama, lendo Whitman, almoçando fricassé de frango e jantando conchinhas recheadas com avelã e manjericão. Com direito a sorvete de tapioca como sobremesa, pois Zizi pode até ser cu-doce, mas não nega as origens nordestinas, visse?

sábado, 12 de setembro de 2009

Zizi volta das férias


Sim, keridus. Não precisam mais se descabelar, nem roer as unhas de ansiedade. Zizi Pollary está de volta! Plena, absoluta, revigorada.

Zizi andava em recesso. Fazendo um balanço zizistencial. Pesando prós e contras. Buscando alguma iluminação espiritual para depois tocar o barco em frente.

Aleluia, meirmãs! Zizi Pollary voltou de seu retiro, mais podra do que nunca. Muito cuidado, ela avisa. Pode estar bebendo um drink ao seu lado neste exato momento e chochando o seu modelito cafona! Ou pior: tentando roubar o seu homem!

Ninguém merece, mas Zizi Pollary voltou!