
Zábadu bassado Zizi Pollary estava na maior ressaka moral e imoral, nem queria zair de casa. Pra nada. Quiria era fikar nua nu quarto, matandu insetos com o seu hálito de baygon. Porém, o leitor já zabe como é. Zizi não sossega a pericripta. Sondou a agenda para ver as pozzibilidades.
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As amiguinhas biriteiras Iggy e Odie estavam numa phestinha. De um amigo de não sei quem. Cervejando-se, como sempre. Iggy convidou Zizi. Mas Zizi estava meio zonza, e um pouko na dúvida. Ficou de passar. Ou não, como diria a Caetana Veloso.
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Nesse sábato cheio de eventos sociais tinha também o aniversário de uma tia. Tia de fato, a ermã do genitor de Zizi, e não uma dessas tias véias bem cacuras que pintam o cabelo grisalho de acaju. E que depois ficam brincandu de marida e muléh na região do pericumã de algum bophe uó.
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Zizi foi à casa da tia. Onde foi recebida com beijinhos, docinhos e drinkinhos. Adóron. Principalmente os drinkinhos. Lá estavam todas as thias de Zizi: tia Zazá, tia Zuzu e tia Zezé. Futricando. Todas sentadinhas no sofá e azzistindo a novéula.
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Zizi Pollary deu um tempinho na presença da fammily, mas quando foi dez pras onze, o pisca-pisca interno da bee começou a apitar: "tá na hora de cair phora!"
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Então Zizi celulou para Guta Gatuna para saber qual era a bôua da noite. Guta estava querendo ir à Broadway com Nic Chupa-Chupa. A Broadway é o apelido da Pedrita, um club suburbano e sub-humano cujus habitués são criaturas hermafroditas, transformers de periferia, bophes du mal, zapatas caminhoneiras, bixas forrozeiras e outrus seres saídos do bueiro.
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Zizi topou - tava bêbada - e combinou de encontrá-las num ponto do Angelim, bairro onde Nic passaria de batmóvel. Assim foi feito. Zizi materializou-se como uma nuvem de purpurina e desejo em pleno Angelim, deixando os bophes angelinescos boquiabertos e maravilhados com sua fulgurante chegada. Sentou-se numa lan-xô-nete (uma lan house que também é lanchonete) onde bebiam o casal Nardoni: Faby e o seu espôuzo Eddu, um ser muito sexy... sexyagenário. E rico. Ou que azzim se acha. Mas a gentche acaba perdoando o seachismo por causa da idade avançada do coitado.
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Nic foi tomar banho e nos deixou, Guta e Zizi, biritando com o casal Nardoni. Eddu até se portou condignamente. Mas Fabby estava podra. Pior que nunca. Veneninhus e farpinhas foram trocados lindamente entre ela e eu por alguns minutos desagradáveis. Até que Nic voltou de banho tomado, toda montada de Cavalera. Zizi Pollary achou a camisa muito style para usar naquela pocilga, mas enfim...
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Partiram no bólido rosa-mênstruo recém-comprado por Nic Chupa-Chupa, a ser pago em sete anos de boquetes. Ufa. Zizi estava feliz, iria com alívio até ao inferno sóh para se livrar do casal Nardoni.
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Nic vangloriu-se de, nesta noite, juntar os "injuntáveis". No Angelim, seu bairro. Zizi olhava ao redor, perdida: "Onde estou eu?" Espirituosa e aventureira, considerava aquela descida ao cu-do-judas uma expedição antropológica das mais primitivas e curiosas.
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Agora Zizi pede forças épicas às musas para que a ajudem a narrar sua jornada à Pedrita: "Ó musas piriguettes do São Cristóvão, dêem-me o som e a fúria para que eu consiga vencer o nojo e ódio e achar as palavras certas, ou ainda os palavrões exatos".
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Sim, continuando. Zizi chegou à boca do inferninho com suas ameigas. E não gostou do que viu. A Drita continuava intacta. Exatamente como era há 30 anos atrás. Não mudou nem por um parafuso enferrujado. Tocavam as mesmas músicas horrendas. A mesma lama formada por poças de xixi e cocô infestava o chão do banheiro. As mesmas bichas velhas e feias, 30 anos mais velhas e feias, estavam lá batendo o mesmo ponto. A mesma telha de brasilite no teto. Tudo a mesma merda. Nem Dante conseguiria pintar um retrato mais dantesco daquela execrável humanidade se divertindo e dando pinta lá dentro.
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Zizi resolveu embriagar-se de maneira equina, para ignorar o choque de realidade que o lugar oferecia. A miséria humana exposta em cores, sons, cheiros, gritos, risos, peidos e pirucões. As bees exalavam a jasmim de la puta, requebravam os úteros dando umbigadas e se beijavam nas bocas com sençualidadji.
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Uma sapatona tentou agarrar nossa diva para encenar uma soup ópera bem cheia de bolhas de sabão. Zizi, muito digna, mandou tomar no cúú.
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Mais calma, Zizi assistiu o concurso das travecas que escolheria a "Miss Maranhão Gay Brasil das Américas Latinas" ou era a "Miss Quinto dos Infernos do Bairro do São Cristóvão"? O apresentador era uma bixa loura que comia todas as "concordância." Tipo o presidente Lula: "agora uma salva de palmas pras candidata". As travestis faziam a linha bem monstras. Não se salvava uma só. O prêmio era um bouquet de rosas murchas, roubadas do cemitério, quem sabe.
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Ainda houve um número erótico de gorfar. Um galalau feioso e nu que onanizou-se no palco. O apresentador uó pediu para "duas voluntária da pratéia" subirem ao palco e crau. Não é que duas travas surgiram du pântano e caíram de bocarras no feioso? Ai. Que crocodilas, pensou Zizi Pollary já de saco cheio.
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Zizi decidiu salvar sua honra e reputação a tempo e fugiu montada num camelo, ou melhor, num mototáxi, torcendo para os paparazzi não a reconhecerem.